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21 novembro 2005

Tudo tão igual...

Um dos encantos do futebol é o inconformismo. Na nossa vida, podemos acomodar-nos a tudo e mais alguma coisa, mas, quando nos sentamos numa bancada, esperamos sempre que uma equipa lute por algo mais, como uma projecção do que só remotamente se sonha para a vida real. No campeonato real da Liga de Honra, ontem, terminou quase tudo igual, o que representa uma frustração para os homens que entram para o relvado. Da bancada, os empates no topo e no fundo da tabela até podem ter parecido males menores: quem se sentou disposto apenas a não voltar a casa derrotado saiu contente, mas quem todas as semanas luta por mais qualquer coisa chegou ao fim da 11ª ronda com um irritante sabor a pouco. Na frente, Beira-Mar, Covilhã, Estoril e Olhanense empataram; aparentemente, estão na mesma, na tabela, mas, na prática, perderam. Perderam a oportunidade de se distanciarem, sensação especialmente ingrata para o Estoril, a quem a vitória teria permitido igualar o segundo classificado. No fundo mais fundo da tabela, a ironia chega a ser cruel para Moreirense, Ovarense e Chaves: pontuaram em jogos com desempenhos quase heróicos, como o do guardião flaviense, Riça, protagonista do nulo imposto ao Olhanense, e tudo o que ganharam foi a união em mais uma semana trágica de aflição, numa época em que a zona de segurança se conta a partir do distante 12º lugar. Como em todas as histórias - do futebol à realidade pura e dura -, fazer a diferença é possível. Vizela e Gondomar saíram vencedores diante de Marco e Feirense, respectivamente, mas foi preciso marcar à farta para para conquistar um pouco de paz, no meio da tabela, tal como o Leixões na ressaca da visita do Maia e, acima de todos estes, o Barreirense, que pode sonhar toda a semana com a vitória que o fará saltar para a zona tranquila. Já só faltam três pontos... e depois mais. Sempre mais.

Curiosidade


Numa jornada em que não foi fácil encontrar vencedores, alguns vencidos têm razões para sentir-se especialmente frustrados. O Marco sofreu quatro golos, em Vizela, e três deles foram marcados pelo mesmo avançado: Bock. O Feirense foi batido por três golos de canto do Gondomar.
Mónica Santos in O Jogo Online

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